Adriana Baense e a Maratona do Rio: ‘Foi a melhor dor nas pernas que já senti! A do dever cumprido!’

Atleta da Inthegra há oito meses, a analista administrativa Adriana Maciel Baense ainda vive os mágicos dias pós-maratona. No Rio há alguns dias ela completou os 42K pela primeira vez. Agora, ela muda um pouco o foco, mas garante que em breve quer repetir o feito. Confira!

 

“Comecei a me exercitar em 2000, aos 19 anos. Mas eu corria apenas na esteira da academia, até que em 2006 fui convidada pelo dono da academia para participar da Family Run, no Aterro do Flamengo. Ele disse que, como

eu corria muito todos os dias, seria bom representar a academia e que um mês de treinamento para os 6K era suficiente.

Fiquei surpresa com a observação, pois não seguia um planejamento de treinos. Corria sem compromisso algum, era só puro prazer. Mas aceitei imediatamente o convite.

Até hoje não sei como foi meu resultado naquela prova. Fui para saber qual era a sensação de competir na rua. Pura curiosidade!  Senti um pouco de dificuldade nos primeiros quilômetros, mas completei a prova satisfeita. Pude perceber que o esforço era bem maior se comparado ao da esteira. Cheguei a correr algumas vezes em estrada, sem cronometrar absolutamente nada.

Até que em 2014 conheci uma maratonista na academia aqui no Rio. Ela me contou um pouco da sua história com a corrida e novamente recebi outro convite: para treinar com ela e o esposo na orla de Copacabana. Aceitei, claro!

E comecei a correr com eles de madrugada três vezes na semana. Minha visão já estava se transformando sem que eu percebesse.  Perdi um pouco o contato com o casal, mas continuei correndo.

Em 2015 comecei a dar uma volta na Lagoa. Depois de alguns meses aumentei o percurso para 17 quilômetros, só que de forma inconsequente, correndo todos os dias a mesma distância. Depois ia para academia.

Devido ao cansaço constante achei adequado procurar um profissional. Também fiz meu primeiro teste de pisada. Fui, literalmente, repreendida pelo treinador, que sugeriu que eu mudasse imediatamente de atitude, evitando assim uma lesão.

Conclusão: o que era mero passatempo, começou a se transformar em um compromisso. Busquei ajuda nutricional, voltei para minha treinadora na academia, reduzi o volume de corrida na Lagoa, li alguns livros e me inscrevi para a Corrida das Estações, etapa outono.

Fiquei deslumbrada com o evento. Ver a alegria nos rostos dos atletas foi simplesmente contagiante. A beleza do Rio, cartão postal maravilhoso, as pessoas sorrindo, felizes. Tive o privilégio não só de observar, mas sobretudo sentir toda aquela energia boa, contagiante, que foi determinante para que eu não resistisse às próximas estações e eventuais corridas. O que era só curiosidade se transformou em vício. Melhor dizendo, em hábito.

Em 2018, ao completar minha primeira meia, estava determinada a fazer uma maratona. Sentia-me muito bem e percebi que seria possível dobrar a distância.

Parti para outra etapa, que era a de pesquisar uma assessoria esportiva para obter toda a orientação necessária. Por acaso, dos livros que li, dois mencionaram a RUN&FUN/Inthegra. Não tive dúvidas e entrei para a equipe.

Nada sabia de planilhas e nunca tinha visto uma. Sequer sabia como funcionava.

Percebi o progresso em menos de um mês. Os treinos rendiam mais e meu condicionamento aumentou consideravelmente. Fechei 2018 com 11 corridas, já inscrita para a maratona de 2019 e duas provas para início de janeiro.

Percebo que meu condicionamento com as distâncias tem melhorado consideravelmente. Especialmente a partir do momento que iniciei os treinos com as planilhas.

E assim eu me mantenho motivada! Gostando de correr, traçando uma meta e me dedicando para alcançá-la. Com foco e esforço somos bem recompensados física e psicologicamente. A consequência disso é a própria motivação.

Meu sonho era completar os 42k sem quebrar, consegui. A Maratona deste ano foi minha exclusividade. Porém, desejo correr no Sul, devido ao clima e por gostar muito de lá. Pretendo viajar para outros Estados e, quem sabe, outros países e completar as mais concorridas.

No momento, tenho dificuldade para conciliar os treinos com os estudos. Há alguns meses venho estudando para concurso, razão pela qual pretendo reduzir os treinos até o final deste ano. Não parar completamente, mas reduzir.

Até o final de 2019 ou até que eu passe no concurso. Preciso mudar o foco temporariamente.

Mas a corrida impacta no meu ânimo, na minha força, na minha disposição… A soma dos três favorece diretamente não só no bem-estar físico. Vai muito além, o esporte me tornou mais tolerante, solidária, segura e por mais que haja uma competição a corrida nos torna mais humildes. Os corredores ajudam uns aos outros, não importa quem ganhou ou quem perdeu.  Após a linha de chegada compartilhamos das mesmas emoções. Vitória e superação pessoal. Tento manter essa paz e harmonia na minha vida.

Continuar correndo é uma das certezas que tenho. A corrida, ou você odeia ou se apaixona. E quando se apaixona a dedicação flui naturalmente. Não imagino minha vida sem a corrida. Não mesmo! Gostaria muito de trazer alguns familiares e amigos para a prática, mas é questão de gosto.

Correr uma maratona foi simplesmente espetacular!!!! Muito melhor do que eu esperava. Na verdade, eu não esperava muito. Tentei trabalhar meu psicológico, não exigir demais para não ficar frustrada depois.

A equipe, juntamente com os profissionais de nutrição, me proporcionou toda a estrutura. Sem a competência e dedicação do treinador Joel Fábio esse sonho não teria sido alcançado com um resultado tão bom.

Entrei na prova tentando manter toda a sua orientação. Tentei reproduzir ao máximo o que fizemos nos treinos.  Ao ultrapassar a linha de chegada veio sorriso acompanhado pelo choro, orgulho, surpresa por ter vencido o desafio. Coração parecia que ia explodir, felicidade transbordando, superando até o cansaço.

Foi a melhor dor nas pernas que já senti! A do dever cumprido!  Todo o esforço valeu a pena! Nem preciso dizer que vou repetir…”