Augusto Villaschi e o efeito Chicago: ‘Eu quero ter muitas histórias para contar!’

Capixaba de Vitória, o servidor público Augusto Villaschi, de 41 anos, acaba de completar sua primeira maratona. E não foi qualquer maratona. Sua estreia nos 42K foi na badalada Maratona de Chicago, que completou em 3h54min. Não foi uma jornada fácil. Na verdade, uma jornada que começou há pouco mais de 15 anos, quando Augusto já dava suas corridinhas e sonhava correr as 10 Milhas da Garoto.

“Sempre fui muito ativo e aos 16 anos frequentava academia para cuidar do corpo. Mais tarde eu passei a adotar a corrida para cuidar do corpo e da mente. Como trabalhava muito ela servia também como válvula de escape. Desde que comecei a correr almejava fazer a corrida da Garoto, então passei a fazer distâncias menores até que por volta dos 24 anos corri a prova pela primeira vez”.

Desde então Augusto corre. Sem muitas cobranças, sem pular etapas e sem lesões. Para ele, correr é um prazer. E assim, sem muito compromisso, aos poucos, foi evoluindo até completar 34 anos, quando começou e encarar a corrida de outra forma.

“Meu objetivo sempre eram as 10 Milhas da Garoto. Então eu me mantinha treinando. Às vezes mais, às vezes menos. Corri uma sequência desta prova até os 34 anos. A partir daí comecei a focar algo diferente. A pensar no desafio de correr provas maiores, como as meias. Então fiz algumas e corro pelo menos uma por ano. Fiz cinco vezes a meia do Rio e em 2013 fiz a Meia de Florianópolis em 1h49min. A evolução aconteceu muito naturalmente. A corrida para mim é algo muito prazeroso. Nunca foi aquela maluquice de querer transpor barreiras de formal louca. Eu ia correndo, emagrecendo. Por isso nunca tive uma lesão”

À medida que seguia treinando, Augusto ia pensando em novos e maiores desafios. Até que, perto de completar 40 anos, o assunto ‘maratona’ bateu à sua porta. Em 2015, um grupo de amigos – entre eles alguns que o próprio Augusto motivou a correr – decidiu treinar para correr a distância. E no fim de 2016 já tinham no currículo duas majors: Nova York e Chicago.

Augusto, que até então não tinha o objetivo de correr os 42K, inscreveu-se na loteria da Maratona de Berlim. E foi aceito. Mas antes mesmo da viagem ele já sabia que não correria a prova. Ainda antes de começar os treinos específicos para a distância, descobriu uma hérnia de disco, não conseguiu treinar e ganhou peso.

“Aquilo foi uma grande decepção. Mas que se tornou uma grande motivação. Estava com passagem comprada, hotel reservado e inscrição feita. Então fui a Berlim. Chegar naquele ambiente de uma major em 2017 sabendo que eu não ia correr foi mesmo uma decepção. Os amigos ainda insistiram que eu corresse o que desse. E naquele momento eu decidi que não ia calçar tênis para correr 15, 20 ou 25K. Nem andar em parte do percurso. Decidi que eu ia me planejar com base no meu histórico para fazer o que eu sempre fiz: correr uma prova inteira! Nunca andei, sempre corri a corrida até o final. Ali eu decidi me preparar para correr uma maratona. E seria uma major. Estar no ambiente de uma major me motivou bastante”.

De volta ao Brasil, Augusto retomou a fisioterapia, os treinos, inseriu em sua rotina sessões de pilates e melhorou a alimentação. Estava decidido a correr uma major em 2018. E, para ele, só havia uma chance de isso não acontecer.

“Eu já vinha numa toada de melhorar meu condicionamento, minha musculatura, minha fisiologia. Naquele momento decidi que ia correr uma maratona em 2018, a não ser que o médico dissesse que correr significava risco de morte. Por que eu sabia que com determinação, foco e acompanhamento correto, eu podia suportar e superar aquela dor”.

No Porto, unindo turismo e corrida

Mas o acompanhamento a que Augusto se referia ainda não incluía uma assessoria esportiva. E por conta própria ele foi estabelecendo suas metas: fechar 2017 correndo 16K, fazer a Meia Maratona de São Paulo, em março, e chegar bem na Meia de Florianópolis, no início de junho.

“Cumpri meu planejamento e, mesmo contrariando uma instrutora da academia, fiz a Meia de Floripa em 1h42, meu recorde pessoal na distância. A partir dali tudo seria direcionado para correr uma maratona”.

Como o desafio agora seria outro, os 42K, Augusto decidiu procurar uma assessoria esportiva, decisão que já vinha amadurecendo desde março. Fez algumas pesquisas e no fim de junho entrou para a Inthegra. O objetivo, além de direcionar os treinos, era absorver as dicas, as orientações e a experiência dos profissionais da assessoria. Com a mente focada, Augusto não teve dificuldades em aproveitar tudo o que era preciso para atingir o alvo: a Maratona de Chicago, no dia 7 de outubro.

Em Canela-RS

Augusto lembra que quando precisava treinar muito cedo, o treinador Joel Glicério o chamava no telefone para que ele não matasse o treino. O corredor confessa que às vezes chegava na tenda da Inthegra já com ela fechando, mas não faltou um treino sequer. Quando precisou viajar a trabalho, negociou a planilha com o treinador.

“Eu estava muito motivado por mim mesmo, mas o profissionalismo da equipe, as dicas e a forma como eles me prepararam para este desafio foi determinante. O Joel trabalhou minha postura, minha mente, minha série da academia. Me perguntava que tipo de suplemento eu colocava na água durante os treinos. Fez com que eu aproveitasse ao máximo, como treinamento, as provas que eu queria fazer, como as 10 Milhas Garoto e a Meia do Rio. Esse tipo de assessoria te mantém motivado e com a cabeça focada nos treinamentos. E com a mente aberta para as cobranças e para as avaliações ao longo da jornada”.

Hoje, com a medalha da Maratona de Chicago no peito e com uma assessoria como a Inthegra, eu vejo que posso readequar meus treinos e fazer o maior número possível de majors. O treinamento para uma maratona é algo muito cansativo e correr estas provas é uma motivação a mais. A atmosfera é diferenciada. O nível de organização… E hoje acho que tenho condições de trabalhar para ter estas diferentes medalhas”.

Meia Maratona de Florianópolis

Solteiro e sem filhos, Augusto confessa que se dedicar aos treinos não é uma tarefa tão complicada. Mas, segundo ele, está de longe de ser algo fácil. Na jornada até Chicago viu e ouviu histórias de atletas que precisavam abrir mão de momentos preciosos com a família para alcançar um objetivo.

“Mas é óbvio que abrimos mão de algo pessoal. Em relação a trabalho, os treinos durante a semana são de uma hora no máximo. É só acordar cedo. Agora no fim de semana tem sempre uma meia maratona de treino, pelo menos. E depois o dia acaba sendo de descanso. Mas, no meu caso como eu gosto muito de correr acaba sendo mais fácil”.

Para Augusto, foi um desafio a passagem da meia para a maratona. Aumentar o volume de treinos, intensificar a musculação, renunciar a programas sociais…

“Quando fazemos 5K, os 10 parecem difíceis… dos 10 para os 15 ou 21K, a mesma coisa. Mas nenhuma passagem de distância é mais difícil do que a da meia para a maratona. Parece que o nosso corpo não é feito para correr mais de 30 quilômetros.  A maratona é na verdade os 10 últimos quilômetros da prova. Ali parece que falta algo e eu complementei isso com um trabalho mental, que incluía fazer com que minha entrada nos 40 anos fosse algo emblemático. Minha última oportunidade de construir um corpo e uma mente saudáveis para a vida toda”.

Um processo que, segundo Augusto, exigiu mudanças na alimentação, na postura, na disciplina e no ânimo para traçar desafios a curto, médio e longo prazos. E correr atrás deles. Uma transformação que afeta todos os aspectos da vida do corredor e que hoje serve de estudo entre profissionais de várias áreas.

“Hoje há cursos de MBA que mostram como a preparação mental para uma corrida longa transborda para o ambiente profissional. Executivos de respeito e de grandes empresas são esportistas e dão seus testemunhos. Depois de uma sessão de treino a gente tem mais disposição, respira melhor e começa o dia de trabalho com as ideias bem mais claras na cabeça”.

A experiência em Chicago fez Augusto pensar em juntar com frequência turismo e corrida. Conhecer lugares diferentes, seus encantos, suas histórias… Mas também aproveitar as corridas para conhecer pessoas que quase sempre têm histórias interessantes para contar. Histórias de vidas nem sempre fáceis, mas com uma boa dose de superação e ânimo.

Enfim, os 42K

“Em Chicago, vi pessoas que estão no suprassumo da motivação. Lá pelo km 20, passei por um senhor de uns 60 anos, bem fisicamente e empurrando o carrinho do filho, que era tetraplégico. Eu estava focado na minha prova, mas ouvi muitas vozes de gente incentivando. O pai trabalhando a cabeça e promovendo a felicidade do filho com um esforço gigantesco. Passei por ele e o cumprimentei. E ele respondia a cada uma das pessoas que o incentivavam. Só quem está dentro da corrida percebe o quanto isso afeta a forma com que você encara a vida. Era difícil ver gente ranzinza ou desmotivada. Sou um cara apaixonado pelas minhas histórias! Histórias de vida e de corrida. E eu quero ter muitas histórias para contar!”