Joel Glicério e os atalhos da maratona sub3h à ultramaratona no XTerra

Ter um treinador sub3h na maratona não é para qualquer um. Para os atletas mais disciplinados, é uma inspiração. Para aqueles com alguma dificuldade em cumprir a planilha ele pode ser aquele empurrão que tira o atleta da inércia. Para deixar de cumprir a planilha é preciso uma justificativa pra lá de convincente, quando se tem um treinador que sabe o que é ser atleta.

Formado pela extinta Universidade Gama Filho em 2013, Joel Glicério, de 28 anos, é um profissional de educação física de mão cheia. E também um excelente corredor e competente treinador de corrida. Modalidade da qual se aproximou ainda durante a formação acadêmica.

“Sempre fui muito ligado ao esporte por isso escolhi fazer educação física. Joguei futebol até os 15 anos. Quando entrei na universidade, a ideia era trabalhar com o futebol, mas me aproximei da corrida no terceiro período e fui ganhando gosto pela modalidade. Eu já corria, mas como parte da preparação para o futebol e para me manter em forma”, conta Joel.

O fato de trabalhar com corrida e também ser corredor com alguns objetivos bem traçados, faz com que Joel esteja quase que 100 % voltado para a modalidade. É exigente com os alunos e consigo mesmo.

“A corrida está presente em tudo na minha vida. Tenho um planejamento específico para certas provas. Treino muito e sigo certinho o planejamento. Sou muito ‘caxias’ com isso. Comigo e com meus alunos também. Eu amo o que faço e sempre gosto de falar e ser chamado de professor. Pois tento ensinar as pessoas fazendo com que elas entendam o que estão praticando”.

Como atleta, Joel tem feito provas com distâncias variadas, de 5K a maratona. E com disciplina vem baixando seus tempos e treinando para completar sua primeira ultramaratona, no XTerra Tiradentes, no próximo fim de semana. Um ano para não ser esquecido, já que em junho completou a 35ª Maratona de Porto Alegre em 2:59:43. Ser sub3h na maratona era um sonho e um objetivo.

“Venho evoluindo de forma bem gradual nos tempos. Sempre fui um cara meio rápido, mas esse ano resolvi me empenhar mais e tentar baixar meus tempos. Fiz meu melhor 10k com 36 alto, minha melhor meia com 1:23:00 sem treinos específicos, o que me surpreendeu e a minha primeira maratona sub3. Acho que com tudo isso eu consigo ser o espelho que eu tento ser para meus alunos de corrida. Com a experiência que tenho, eu sei o que eles sentem. Mas não sou extremista, não seria saudável! O que eu tento fazer é que cada um tenha a atividade física como algo essencial em sua vida. Mas o segredo é o equilíbrio”.

O ambiente corporativo é um desafio que Joel encara de peito aberto. Talvez prefira calçar o tênis e aquecer junto com os alunos para um treino de corrida. Mas Joel vê com grande responsabilidade a chance de estar com as pessoas durante o seu horário de trabalho e tentar convencê-las que de cada gesto ou movimento é importante para a saúde.

“Sou um cara muito profissional com relação ao meu trabalho e tento sempre mostrar os benefícios da atividade física dentro das empresas. É um ambiente mais complicado de trabalhar, por que as pessoas parecem criar uma barreira e tendem a dar muitas desculpas. Mas faço o máximo para mudar esse pensamento e fazer elas entenderem que é um benefício que eles estão recebendo, que é um momento de descontração. Meu sonho como educador físico é cada vez mais fazer as pessoas entenderem que somos profissionais que levam saúde e bem-estar. Que somos facilitadores nesta busca”.