Priscila e a incansável procura por novos e desafiadores ‘perrengues’

Aos 27 anos, a securitária Priscila Andrade está perto de encarar um dos maiores desafios de sua vida. Os 42K da XC Run Búzios, uma das principais provas trail do calendário nacional. Uma prova dura, que certamente dá ao atleta confiança para seguir buscando novas aventuras e novos ‘perrengues’ no esporte.

Priscila teve seu primeiro contato em julho de 2015, através do programa de qualidade de vida da empresa em que trabalha. Na época, tirando a caminhada, não praticava qualquer atividade esportiva.

“Me interessei em participar do programa porque não fazia nenhuma atividade, apesar de gostar de andar a pé, desde a educação física da escola eu sentia falta. Mas olha só como é diferente da escola! Eu não tinha referência alguma antes de entrar na Inthegra. Achava que corrida de rua era pra profissional, pra queniano. Corrida trail então… nunca tinha ouvido falar. Quando comecei é que descobri que corrida é pra todos. Nunca imaginei distâncias como faço hoje, mas se me dissessem lá atrás eu ia gostar muito da ideia!”.

Desde então, Priscila e a corrida vivem uma relação intensa. Como disciplina e muita vontade de evoluir nas distâncias e nos tempos, a corredora acabou sendo atraída para o trail run como uma forma de amenizar a busca por melhores tempos.

“Em 2015 fiz provas de 5K e já queria aumentar a distância. Comecei a fazer 10K no ano seguinte. Como a maioria dos iniciantes, eu me interessava por todas as provas que via pela frente. Quando me falavam ‘vamos?’, eu já estava me inscrevendo. Dessa forma cheguei no fim de 2016 às corridas ‘crosscountry’, numa prova de 14K. Nunca tinha me imaginado fora do ‘Aterro’, mas pra essa prova fui convencida em tempo recorde! Digamos que em menos de uma hora eu já tinha certeza que a faria. Por me cobrar muito com relação a tempo, sempre querendo ser mais rápida a cada prova, sair do asfalto foi importante pra eu me sentir melhor. Afinal, nenhuma montanha é igual a outra e ela é quem manda! Além de o astral ser diferente. E aumentar distância foi natural. A convivência com quem faz um pouco mais do que a gente abre a mente e nos faz ir mais longe também”.

E disciplina para seguir evoluindo e se propondo novos desafios nunca foi um problema para Priscila, mas ela confessa que sem o suporte da Inthegra a história poderia ser diferente.

“Nunca treinei sozinha e, francamente, não tenho disciplina pra isso. Hoje, até deixar de ir na base pra treinar perto de casa, por exemplo, ou nas férias é ruim, é fácil furar treino, deixar pra depois. A assessoria ajuda a firmar um compromisso, que quando compartilhamos recebemos suporte não só dos treinadores, mas dos amigos da corrida também. Estar em contato pessoalmente com eles é um dos combustíveis pra sair da cama no fim de semana e do trabalho à noite”.

Priscila não parece ser daquelas que se contenta com pouco. Correr os duros 42 quilômetros da XC Run, em Búzios, é apenas mais uma etapa de uma jornada que ela ainda não sabe onde vai terminar. Por enquanto só pensa em seguir adiante com as orientações do treinador Joel Glicério.

“Eu planejo fazer mais provas de montanha e testar até onde posso ir, em relação à distância, terreno, etc. Gosto de experimentar e sinto uma liberdade muito grande correndo. Prova especial é sempre a próxima! Vou fazer meus primeiros 42K agora em outubro, fora do asfalto, e é um grande passo concretizado com ajuda do Joel. Meu calendário de 2019 já está sendo pensado”.

E não só corrida. Experimentar distâncias cada vez maiores, às vezes requer jogo de cintura. Nem sempre é fácil adaptar a rotina de um corredor à família, ao trabalho e aos amigos. É algo que só se aprende lidar com o tempo. Aos poucos, Priscila vai contornando aqui e ali. O que não quer e sequer cogita é parar de correr, de treinar… Viajar… Em setembro correu os 25K do Desafio dos Mascates, em Valença. Em outubro, tem XC RUN. Provas que ocupam praticamente too o seu fim de semana.

“Na família alguns não apoiam, outros não entendem, mas vou aprendendo a lidar. Eu penso neles antes de fazer prova ou treino numa data especial e pondero, faz parte. Com os amigos é mais fácil contornar. Já a exigência com o trabalho é diferente, durante a semana às vezes faço treinos mais curtos, é preciso adaptar, mas está funcionando. Graças a Deus tenho liberdade com os gestores. Já tive para sair mais cedo na sexta-feira, por exemplo, se preciso viajar pra uma prova fora da cidade no sábado”.

São sacrifícios que resultam em benefícios diários. Resultam em mudança de hábitos que muitos passam a vida tentando mudar, mas sem sucesso. Sem contar as novas amizades, que compartilham da corrida como um estilo de vida.

“A corrida muda tudo ao redor. Tem me ajudado a comer melhor, como eu já desejava antes e não me esforçava, e a me preocupar mais com o descanso, porque o corpo pede. Tenho um hábito antigo de dormir muito tarde e, mais uma vez, a corrida está me ajudando a melhorar pela necessidade de acordar cedo ou até mesmo de madrugada para um treino ou prova diferente, mais longe. São os dias mais fáceis de acordar. Não posso deixar de dizer que conheci muita gente bacana e o laço fica mais forte conforme compartilhamos experiências. Sem dúvida, conhecer pessoas e lugares (e as pessoas desses lugares) é a melhor parte da corrida”.

Faltando poucos dias para a prova em Búzios, Priscila faz questão de lembrar que a jornada até aqui não foi fácil. Nem mesmo convencer o treinador de que desta vez faria os 42K solo.

“Fiz dupla na XC Búzios ano passado, percorrendo os 21km finais. Voltando pra casa já tinha a intenção de correr a prova completa. Não é fácil convencer o Joel, mas dessa vez eu venci! Começamos a preparação. A expectativa é grande de fazer uma boa prova. Conhecer é uma vantagem, mas não pode ser levada ao pé da letra: mesmo local, condições diferentes… Vamos lá!”