Silvano Júnior: ‘pretendo trabalhar com Educação Física até os 90 anos’

Proporcionar a alguém a chance de ter melhor qualidade de vida e ir atrás de alguns sonhos que exigem um certo preparo físico é uma missão dada aos profissionais de Educação Física. Mas fazer as pessoas acreditarem que isso é possível é algo que vai além do conhecimento científico e acadêmico. É a tal vocação! Silvano Lúcio Gonçalves Júnior, 37 anos, profissional da Inthegra há cerca de dois anos é formado em Educação Física há 10 anos e confessa amar a profissão que escolheu. Confira!

“Minha mãe é falecida e eu fui criado desde os quatro anos por minha avó, que também já é falecida. Sempre fui muito ligado a esporte, principalmente a futebol quando era criança. Até pratiquei um pouquinho de atletismo.

Nasci em comunidade carente na zona norte do Rio e sempre tive que correr atrás dos estudos para não ir pelo caminho errado. Onde eu morava, o caminho errado era o mais fácil a seguir.

Mas eu nunca imaginei fazer faculdade. O objetivo era terminar o primeiro grau, depois o segundo grau (hoje ensino médio). Terminei e logo corri atrás de trabalho. De cara apareceu as Lojas Americanas, algo como operador de telemarketing… Nestes lugares eu convivi com várias pessoas que estavam fazendo faculdade. E comecei a pensar em curso superior. Seria interessante ser alguém!

Mas o que fazer? Pensei em matemática, por que eu era bom nisso. Pensei em gastronomia, por que adoro comer coisas diferentes. Muitas dúvidas e uma só certeza: eu ia fazer uma faculdade!

Conversei com um tio que ajudou na minha formação e ele me perguntou: ‘por que você não faz educação física?’ Isso foi lá em 2003. Eu fiquei pensando, mas a ficha não caía.

Na época eu não tinha acesso fácil à internet, então comecei a pesquisar em revistas nas bancas de jornal, em livros… O meu tio era da marinha, depois foi para a PM e sempre praticou atividade física. Foi bem forte durante toda a vida. E eu comecei a trabalhar essa ideia.

Minha falecida avó sofria muito de reumatismo, dores nas pernas e não conhecia a atividade física, assim como a maioria das pessoas na época dela.  Fiquei com isso na cabeça e depois descobri que a educação física oferece várias áreas de atuação. Treinador de futebol? Eu não queria. Academia? Também não. Decidi trabalhar com a terceira idade para ajudar as pessoas a não sofrerem como minha avó sofreu.  Ela caiu, quebrou o fêmur, foi para o hospital, teve infecção hospitalar e faleceu.

Então comecei a correr atrás de uma faculdade. Fiz vestibular para a UERJ e não passei. Já me considerava velho por que tive que trabalhar depois do 2º grau e então procurei a Celso Lisboa. Já tinha pesquisado sobre a mensalidade e era próximo de onde eu morava. Iria a pé ou de bike. E fui fazendo toda esta matemática para conseguir estudar.

Finalmente consegui entrar na faculdade. E com o objetivo de me formar e cuidar do público da terceira idade. O primeiro período veio com matérias difíceis e eu quase abandonei ao levar uma nota 2. Pensei: ‘meu Deus, se todos os períodos forem assim…’ O tempo foi passando, fui tomando gosto pelo conteúdo, conhecendo pessoas, descobrindo que era havia leque muito grande para trabalhar… Fiz estágio num jardim de infância, depois com futebol infantil. Isso ainda estudando.

Pouco antes de terminar a faculdade eu entrei numa empresa que trabalhava com qualidade de vida corporativa, ginástica laboral, ergonomia, relaxamento e massagem. Aprendi massoterapia, que é minha outra paixão. Entrei numa assessoria esportiva oferecendo e comecei a trabalhar em vários eventos.

Certo dia, em 2008, já formado em educação física, conversando com o dono da equipe, eu comentei sobre o alongamento que um atleta fazia. Ele perguntou se eu sabia e eu disse que sim que era professor de educação física. Ele perguntou se eu não queria trabalhar com os alongamentos, abdominais…

Comecei a trabalhar como professor de educação física, puxando abdominais e alongamentos. Até que, no início de 2009, alguém comentou com o dono da assessoria que precisaria de um professor para instruções de corrida numa academia que ele montava na praia durante o verão. E ele me perguntou se eu sabia dar treinos de corrida. Uma coisa que aprendi na faculdade é que se quer algo, nunca diga ‘não sei’. E eu disse que ia aprender. A oportunidade era para um mês adiante.

Procurei uma livraria e comprei dois livros. Um bem técnico e outro mais popular. Devorei os dois! No fim do mês estava lá dando instruções de corrida para iniciantes e ministrando alguns treinos de educativos, aproveitando a base da escolinha que trabalhei durante minha formação. Junto a isso, seguia com a massoterapia.

Em 2010 apareceu a oportunidade de ministrar treinos de corrida no Laboratório Merck, onde há um grêmio esportivo. Começamos, às terças e quintas, um trabalho de treinamento de corrida e um trabalho corporativo de qualidade de vida. Ainda tinha os eventos de corrida dos quais a assessoria participava no Aterro do Flamengo.

Em 2011 fiz minha primeira prova. Os 10K do Circuito do Sol debaixo de um temporal. Achei cômico. Fiz em 43 minutos apesar do pouco tempo de treino. Aí comecei a tomar gosto pela corrida. Não só de ministrar os treinos, mas de praticar também.

Foi aí que comecei a mergulhar no mundo da corrida, treinando um público diverso e bem heterogêneo. Desde aquele cara que quer correr 5K até aquele que quer uma maratona. Gordinhos, magrinhos, com coordenação, sem coordenação. Acho que tenho o dom de falar com a pessoa e fazê-la acreditar. Essa é praticamente a minha função. Dar o treino é mostrar para a pessoa que ela é capaz. Basta ela acreditar.

As coisas foram crescendo e em 2013 eu consegui comprar meu carro. Até então as pessoas perguntavam se eu trabalhava como personal e eu dizia que não. Morando na zona norte ficava complicado chegar antes de 6h levando material. Quando comprei o carro comecei a aceitar alunos de personal e transformei a mala do carro em uma academia ambulante, com muito material.

Hoje tenho clientes fiéis ao meu trabalho e a mim, como pessoa. Crio vínculos fortes. Sou um privilegiado por que faço o que faço e ainda recebo por isso. Meu aluno de personal mais jovem tem 19 anos e na outra ponta, uma senhora de 83 anos. Digo a ela que eu aprendo mais com ela do que comigo.

O trabalho na Merck sempre foi bem executado e bem desenvolvido. Cada aluno tinha sua particularidade e seu objetivo, e eu fazia com que eles acreditassem que seriam capazes de ter qualidade de vida. Criei uma relação muito forte com eles. No início de 2017 houve uma concorrência e a assessoria que eu trabalhava perdeu. Mas o pessoal da Merck me perguntou sobre a possibilidade de continua lá com a nova assessoria, a Inthegra.

Eles gostaram da ideia, fizeram a proposta e eu aceitei. Por que é o meu trabalho e eu crio uma ligação muito forte com os meus alunos, que são meus amigos. Assim pude continuidade a este trabalho na Merck, que se iniciou em 2010. O professor Joel também confiou no meu trabalho e eu comecei a trabalhar em outros eventos com a Inthegra. Nos treinos de sábado, onde eu conheci uma parte da equipe que também treina externamente.

Falo de coração que eu sou e estou muito feliz na minha profissão. Com a Educação Física, alguns ficam financeiramente ricos. Mas para mim a riqueza emocional pesa muito mais. Eu saio para trabalhar motivado. Quando tiro férias, duas semanas para mim já é o suficiente, por que eu já fico com vontade de reencontrar meus alunos e amigos para viver aquele ambiente maravilhoso do qual falava o meu tio Arley. Ainda bem que eu o escutei! Hoje, estou aqui firme, com 37 anos, e pretendendo trabalhar com Educação Física até os 90, se Deus permitir. Quero continuar trazendo saúde e bem-estar físico e mental, principalmente. Para todos que me derem esta oportunidade!”